A Razorfish, uma das principais agências de publicidade digital dos Estados Unidos que inaugurou recentemente seu escritório brasileiro, lançou uma pesquisa muito interessante sobre o comportamento dos internautas da classe média ascendente na América Latina (Brasil, México e Argentina).
Esta pesquisa foi financiada pelo Portal Terra, um dos clientes da Razorfish e sua apresentação de resultados (ministrada por Joe Crump, vice-presidente de estratégia e planejamento da Razorfish em Nova York) pode ser acessada através do site da agência ou do link abaixo no slideshare.
Vale a pena conferir!
Ótimo conteúdo para curiosos do mercado e academia ;-)!
LINK SITE RAZORFISH - http://www.razorfish.com
LINK SLIDESHARE APRESENTAÇÃO DA PESQUISA - http://www.slideshare.net/razorfishmarketing/stampede-5566798
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
CALL FOR PAPERS
Doing Phenomenology: Back To The Things Themselves!
Deadline for submitting a proposal is January 5, 2011
Deadline for submitting a proposal is January 5, 2011
BTTTT! 2011
DOING PHENOMENOLOGY:
BACK TO THE THINGS THEMSELVES!
HOME | WHAT WE WANT | WHAT WE DON'T WANT | THE WORKSHOP | THE DETAILS
As always, BTTTT! is explicitly interested in the application of phenomenology’s insights and the generation of detailed, rigorous, extended descriptions of the lived world, which can be expressed in terms of essences or manifold matrices of meaning. As always, we are interested in textual exegesis only to the extent that it complements a given description. As always, our aim is to stay close to the phenomenon itself in order to be faithful to it and describe it vividly to others. Descriptions may arise from phenomenological reflection broadly construed, so long as the phenomenon remains the chief focus of the paper.
Papers for the 2011 panel should therefore bear these general commitments in mind, but also call attention to the phenomenological method the author has employed in generating his or her description. This might be done in a variety of ways, but the goal should be to show the audience how a description was generated. Explications of method should be stated in broad terms, and overly-detailed textual exegesis should be relegated to footnotes or appendices in order to preserve the "flow" of a description. We are interested in how our panelists have learned from, applied, adjusted, merged, questioned, subverted or otherwise deployed a variety of phenomenological methods in the development of their own phenomenological practice. Our intention is for these methodological reflections to contribute directly to our half-day workshop, in which we will focus explicitly on participants’ divergent experiences of “doing phenomenology.” Studies that take up specific perspectives (e.g. ecophenomenology, feminist phenomenology, naturalized phenomenology) or that engage a specific area of phenomenological inquiry (e.g. phenomenology of architecture, media, technology, embodiment, art) are all most welcome, as long as the description remains the chief focus of the paper. In sum, papers submitted to this panel must contain both:
1. A detailed, rigorous, extended and original description of a phenomenon in the lived world.
2. An explication of the method used to generate this description.
In the spirit of collaborative phenomenology, paper commentators for BTTTT! 2011 will view these descriptions in light of their rigor, originality, and the application of method. In other words, commentators in this panel will act less as critics of scholarly exegesis and more as collaborators helping to extend, refine and deepen a paper’s description. Criticisms of textual interpretation are welcome so long as they further the aim of collaborative inquiry into phenomenological method.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Docentes da ECA publicam livro pioneiro sobre retorno de investimentos em comunicação
Via (usp.br)
Na terça-feira (26), o professor Mitsuru Yanaze, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, vai lançar seu segundo livro, Retorno de Investimentos em Comunicação: Avaliação e Mensuração. Escrito com a colaboração de Otávio Freire, também professor da unidade, e do publicitário Diego Senise, que produziu um trabalho de conclusão do curso sobre o assunto, o livro surgiu a partir de uma pesquisa elaborada pelo Centro de Estudos em Avaliação e Mensuração de Comunicação e Marketing (Ceacom), da ECA. O estudo buscou mapear a forma como 50 grandes corporações lidam com a comunicação, o que inclui desde seu planejamento até os métodos de mensuração utilizados para avaliar os resultados posteriores.
Foram entrevistados cerca de 210 profissionais, numa amostragem que foi além dos gestores que trabalham com a comunicação em si. “Perguntamos para o diretor o que ele espera da comunicação institucional, para o vendedor quais são as expectativas para a comunicação mercadológica. O objetivo foi tentar levantar essas expectativas e como se dá a comunicação, a definição de estratégias, objetivos e metas”, conta o professor Mitsuru.
A partir dessa análise, concluiu-se que ainda são poucas as empresas que pensam a mensuração da comunicação. E quando há iniciativas nesse sentido, elas ficam restritas a um campo específico: por exemplo, uma avaliação de um clipping de assessoria de imprensa, sem considerar a questão de eventos e patrocínio. “As pessoas ficam falando muito em retorno de investimento e poucas estão, na verdade, fazendo alguma coisa concreta. E os que estão, estão fazendo coisas pontuais. Não consideram a comunicação integrada”, constata Mitsuru.
Segundo o professor, existem quatro princípios básicos, apresentados no livro, para se fazer uma mensuração confiável da comunicação: isolá-la e reconhecer seu papel estratégico; conhecer o contexto em que ela se dará; reconhecer que ela tem de ser adequada e utilizar os meios corretos (o que é chamado de Plataforma de Eficiência Eficaz); e, por fim, considerar todas as comunicações e medir o grau de integração entre elas.
“Quando eu começo a juntar essas plataformas para fazer a avaliação desse contexto total e relaciono com resultados obtidos antes, durante e depois da ação de comunicação, certamente eu vou ter condições de avaliar os efeitos da comunicação em relação aos resultados que eu almejo”, afirma.
A publicação
O livro é dividido em três partes. Na primeira, mais voltada à teoria, são apresentadas 15 áreas de mensuração, como publicidade e assessoria de imprensa, e 30 tipos de métricas (meios para se fazer a mensuração), sendo algumas inéditas. A segunda traz uma resenha das principais obras estrangeiras sobre o tema e a terceira, por fim, traz os resultados já mencionados da pesquisa com as corporações.
Realizando pesquisas sobre o tema há dez anos, Mitsuru Yanaze afirma que o livro é uma iniciativa pioneira sobre retorno de investimentos em comunicação no Brasil e, possivelmente, no mundo. “Sem medo de errar, a gente diz que é uma obra inédita. No Brasil, com certeza; e no mundo, a gente duvida que tenha alguma obra com uma abordagem semelhante”, diz.
Apesar disso, o professor destaca que o livro não promete nenhuma “fórmula mágica”, e sim um conjunto de ideias que o profissional precisa conhecer para montar uma boa análise de resultados em comunicação: “Com os conceitos que estamos apresentando, temos certeza de que o profissional consegue montar modelos interessantes para aplicação de acordo com as suas necessidades”.
Paralelamente ao livro, Mitsuru, Otávio e Diego também desenvolvem um blog, oInComMetrics, que foi pensado como uma forma do grupo se manter atualizado com as novas iniciativas em termos de avaliação e mensuração.
Serviço
O livro Retorno de Investimentos em Comunicação: Análise e Mensuração (Difusão Editora, 424 p., R$ 86,00) será lançado na terça-feira (26), às 19 horas, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM) - Rua Major Maragliano, 191, Vila Mariana, São Paulo.
Na ocasião do lançamento do livro, haverá uma palestra seguida por sessão de autógrafos. As inscrições são gratuitas e limitadas, e podem ser feitas pelo telefone (11) 4227-9400 ou email sara.brito@difusaoeditora.com.br.
Na terça-feira (26), o professor Mitsuru Yanaze, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, vai lançar seu segundo livro, Retorno de Investimentos em Comunicação: Avaliação e Mensuração. Escrito com a colaboração de Otávio Freire, também professor da unidade, e do publicitário Diego Senise, que produziu um trabalho de conclusão do curso sobre o assunto, o livro surgiu a partir de uma pesquisa elaborada pelo Centro de Estudos em Avaliação e Mensuração de Comunicação e Marketing (Ceacom), da ECA. O estudo buscou mapear a forma como 50 grandes corporações lidam com a comunicação, o que inclui desde seu planejamento até os métodos de mensuração utilizados para avaliar os resultados posteriores.
Foram entrevistados cerca de 210 profissionais, numa amostragem que foi além dos gestores que trabalham com a comunicação em si. “Perguntamos para o diretor o que ele espera da comunicação institucional, para o vendedor quais são as expectativas para a comunicação mercadológica. O objetivo foi tentar levantar essas expectativas e como se dá a comunicação, a definição de estratégias, objetivos e metas”, conta o professor Mitsuru.
A partir dessa análise, concluiu-se que ainda são poucas as empresas que pensam a mensuração da comunicação. E quando há iniciativas nesse sentido, elas ficam restritas a um campo específico: por exemplo, uma avaliação de um clipping de assessoria de imprensa, sem considerar a questão de eventos e patrocínio. “As pessoas ficam falando muito em retorno de investimento e poucas estão, na verdade, fazendo alguma coisa concreta. E os que estão, estão fazendo coisas pontuais. Não consideram a comunicação integrada”, constata Mitsuru.
Segundo o professor, existem quatro princípios básicos, apresentados no livro, para se fazer uma mensuração confiável da comunicação: isolá-la e reconhecer seu papel estratégico; conhecer o contexto em que ela se dará; reconhecer que ela tem de ser adequada e utilizar os meios corretos (o que é chamado de Plataforma de Eficiência Eficaz); e, por fim, considerar todas as comunicações e medir o grau de integração entre elas.
“Quando eu começo a juntar essas plataformas para fazer a avaliação desse contexto total e relaciono com resultados obtidos antes, durante e depois da ação de comunicação, certamente eu vou ter condições de avaliar os efeitos da comunicação em relação aos resultados que eu almejo”, afirma.
A publicação
O livro é dividido em três partes. Na primeira, mais voltada à teoria, são apresentadas 15 áreas de mensuração, como publicidade e assessoria de imprensa, e 30 tipos de métricas (meios para se fazer a mensuração), sendo algumas inéditas. A segunda traz uma resenha das principais obras estrangeiras sobre o tema e a terceira, por fim, traz os resultados já mencionados da pesquisa com as corporações.
Realizando pesquisas sobre o tema há dez anos, Mitsuru Yanaze afirma que o livro é uma iniciativa pioneira sobre retorno de investimentos em comunicação no Brasil e, possivelmente, no mundo. “Sem medo de errar, a gente diz que é uma obra inédita. No Brasil, com certeza; e no mundo, a gente duvida que tenha alguma obra com uma abordagem semelhante”, diz.
Apesar disso, o professor destaca que o livro não promete nenhuma “fórmula mágica”, e sim um conjunto de ideias que o profissional precisa conhecer para montar uma boa análise de resultados em comunicação: “Com os conceitos que estamos apresentando, temos certeza de que o profissional consegue montar modelos interessantes para aplicação de acordo com as suas necessidades”.
Paralelamente ao livro, Mitsuru, Otávio e Diego também desenvolvem um blog, oInComMetrics, que foi pensado como uma forma do grupo se manter atualizado com as novas iniciativas em termos de avaliação e mensuração.
Serviço
O livro Retorno de Investimentos em Comunicação: Análise e Mensuração (Difusão Editora, 424 p., R$ 86,00) será lançado na terça-feira (26), às 19 horas, na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM) - Rua Major Maragliano, 191, Vila Mariana, São Paulo.
Na ocasião do lançamento do livro, haverá uma palestra seguida por sessão de autógrafos. As inscrições são gratuitas e limitadas, e podem ser feitas pelo telefone (11) 4227-9400 ou email sara.brito@difusaoeditora.com.br.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O PODER SUGESTIVO DA PUBLICIDADE - UMA ANÁLISE SEMIÓTICA
Recomendo a todos a leitura de O PODER SUGESTIVO DA PUBLICIDADE - UMA ANÁLISE SEMIÓTICA (2010), de Roberto Chiachiri. Segue a sinopse da obra, premiada como "melhor livro de Propaganda e Publicidade" na Feira do Livro de Porto Alegre:
"Tendo como aporte a teoria semiótica de Charles Sanders Peirce, este livro procura abordar as associações mentais que o receptor de uma peça publicitária é levado a realizar por meio de signos que, por sua vez, tecem estratégias de sugestão para compor esse tipo de mensagem. O grau de influência da iconicidade para a construção dessas estratégias é fator indispensável para a eficácia comunicativa da publicidade na conquista de seu consumidor. É, portanto, o poder sugestivo, fundamental em mensagem publicitária, que o autor consegue explorar neste livro. Com linguagem bastante acessível a estudantes, pesquisadores, professores e amantes do universo dos signos, busca-se mostrar o lado sedutor, o caminho lógico e o mecanismo de interpretação que a Semiótica pode oferecer. "
"Tendo como aporte a teoria semiótica de Charles Sanders Peirce, este livro procura abordar as associações mentais que o receptor de uma peça publicitária é levado a realizar por meio de signos que, por sua vez, tecem estratégias de sugestão para compor esse tipo de mensagem. O grau de influência da iconicidade para a construção dessas estratégias é fator indispensável para a eficácia comunicativa da publicidade na conquista de seu consumidor. É, portanto, o poder sugestivo, fundamental em mensagem publicitária, que o autor consegue explorar neste livro. Com linguagem bastante acessível a estudantes, pesquisadores, professores e amantes do universo dos signos, busca-se mostrar o lado sedutor, o caminho lógico e o mecanismo de interpretação que a Semiótica pode oferecer. "
sábado, 9 de outubro de 2010
Semiótica e Marketing
Ontem um amigo canadense me falou sobre uma empresa chamada "Marketing Semiotics". Curioso, fiz uma busca no Google e achei o site:
http://www.marketingsemiotics.com/
Fiquei um pouco assustado em perceber que os funcionários são qualificados, alguns com mestrado e doutorado, e ainda assim, explicam a semiótica como um ramo da antropologia especializado em analisar a comunicação simbólica.
Se é verdade que a pesquisa de mercado e a semiótica podem e devem trabalhar juntas, também é certo que não se pode reduzir teorias complexas a receituários fáceis travestidos com nomes de impacto.Ser negligente, neste caso, é aceitar que o selo "análise semiótica" perca o seu significado.
http://www.marketingsemiotics.com/
Fiquei um pouco assustado em perceber que os funcionários são qualificados, alguns com mestrado e doutorado, e ainda assim, explicam a semiótica como um ramo da antropologia especializado em analisar a comunicação simbólica.
Se é verdade que a pesquisa de mercado e a semiótica podem e devem trabalhar juntas, também é certo que não se pode reduzir teorias complexas a receituários fáceis travestidos com nomes de impacto.Ser negligente, neste caso, é aceitar que o selo "análise semiótica" perca o seu significado.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Indicação de livro: Brands (Routledge Introductions to Media and Communications)
Nesta obra, Marcel Danesi, Diretor do departamento "Semiotics and Communication", da Universidade de Toronto, apresenta um panorama que percorre o universo das marcas de sua origem à cultura do consumo das últimas décadas.
O principais temas abordados podem ser assim sumarizados:
1) do produto à marca;
2) a marca e os signos (a "imagem da marca", aspectos verbais e visuais da marca);
3) a cultura do consumo e das marcas (análise de campanhas, discussão sobre a "lógica poética");
4) a globalização das marcas.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Entrevista de Gilles Lipovetsky para a Folha de São Paulo
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/805866-bem-estar-e-o-novo-luxo-afirma-filosofo-frances-gilles-lipovetski.shtml
Data de publicação: 28/09/2010 - 12h45
"Bem-estar é o novo luxo", afirma filósofo francês Gilles Lipovetsky IZABELA MOI
EDITORA-ASSISTENTE DA ILUSTRÍSSIMA
Folha - O que é "consumo de experiência"?
Gilles Lipovetsky - Vai além dos produtos que podem me trazer esse ou aquele conforto, ou me identificar com essa ou aquela classe. As razões para escolher um celular, hoje, vão além das especificações. Queremos ouvir música, tirar fotos, receber e-mails, jogar. Ter vivências, sensações, prazeres. É um consumo emocional.
Folha - Então, o que é o luxo, hoje?
O luxo, apesar de ainda existir na forma tradicional, também está mudando.
Quando buscamos um hotel de luxo hoje, não queremos torneiras de ouro, lustres. O luxo está nas experiências de bem-estar que o lugar pode oferecer. Spa, sala de ginástica, serviço de massagem. O bem-estar é o novo luxo.
Folha - Como consumir bem-estar?
Nos anos 60 e 70, quando o consumo de massa possibilitou que famílias de classe média se equipassem com produtos, o bem-estar ainda era medido em termos de quantidade. Hoje, o que está na cabeça das pessoas é o bem-estar qualitativo: a tal qualidade de vida. O que inclui a qualidade estética.
Folha - Qual a relação entre busca de bem-estar e uma sociedade mais e mais "medicalizada"?
A obsessão com a saúde e a prevenção é o lado obscuro do hiperconsumismo, gerador de ansiedade quase higienista. A quantidade de informação disponível torna o consumo complicado. Na alimentação, os consumidores estão ávidos pela leitura dos rótulos: quais são os ingredientes, de onde vêm, podem causar câncer, engordar? Há 40 anos, íamos ao médico uma vez por ano, se muito. Hoje, um indivíduo faz até dez consultas por ano. O consumo de exames, para nos fazer sentir "seguros", cresce exponencialmente. Sintoma do hiperconsumismo: queremos comprar nossa saúde.
Como vê as campanhas contra o cigarro e a obesidade?
O hiperconsumidor está preso num emaranhado de informações e ele tem muitas regras a seguir. Parar de fumar faz parte da lógica da prevenção. É um sacrifício do presente em prol do futuro. No hiperindividualismo, a gestão do corpo é central. Esse autogerenciamento permanente explica, também, a onda do emagrecimento.
Expor-se ao sol é arriscado, mas é considerado bonito ter a pele bronzeada. Privar-se de comer é privar-se do prazer. É um paradoxo que todos vivem e, por isso, no caso dessas mulheres subjugadas ao terrorismo da magreza, elas sentem culpa. As regras são contraditórias.
Qual é a saída para toda essa ansiedade?
As compras. Antes as pessoas iam à missa, agora elas vão ao shopping center. Comprar, ir ao shopping, viajar -são as terapias modernas para depressão, tristeza, solidão. Você pode comprar "terapias de desenvolvimento pessoal". Um fim de semana zen, um pacote de massagens. Todas as esferas de vida estão subjugadas à lógica do mercado.
Folha - Por que as pessoas não se sentem felizes?
O hiperindividualismo aparece quando nossa sociedade nega as instituições da coletividade. A religião, a comunidade, a política. Os deuses são os homens. O indivíduo é um agente autônomo que deve gerenciar a própria existência. Esse indivíduo pode fazer escolhas privadas -que profissão fazer, com quem se casar, o que comprar- mas está submetido às regras da globalização econômica de eficácia, de produtividade, juventude, consumo. O acesso ao conforto material, enquanto sociedade, não nos aproximou da felicidade. Há tanta ansiedade, tanto estresse, tanta angústia e tanto medo que a abundância não consegue proporcionar um sentimento de completude.
Folha - Consumimos para esquecer?
Também. Mas há um outro lado. Desenvolvemos o que eu chamei de "don juanismo" [ele cita o personagem "Don Juan", da ópera de Mozart, que "conheceu" 1.003 mulheres]. Todos nos transformamos em Dons Juans. Somos todos colecionadores de experiências. Temos medo que a vida passe ao largo. Existe um senso comum que nos diz que se não tivermos vivido tal ou tal experiência, teremos perdido nossa vida. É uma luta contra o tédio, uma busca incansável e viciada pela novidade, pela fuga da rotina.
Data de publicação: 28/09/2010 - 12h45
"Bem-estar é o novo luxo", afirma filósofo francês Gilles Lipovetsky IZABELA MOI
EDITORA-ASSISTENTE DA ILUSTRÍSSIMA
Folha - O que é "consumo de experiência"?
Gilles Lipovetsky - Vai além dos produtos que podem me trazer esse ou aquele conforto, ou me identificar com essa ou aquela classe. As razões para escolher um celular, hoje, vão além das especificações. Queremos ouvir música, tirar fotos, receber e-mails, jogar. Ter vivências, sensações, prazeres. É um consumo emocional.
Folha - Então, o que é o luxo, hoje?
O luxo, apesar de ainda existir na forma tradicional, também está mudando.
Quando buscamos um hotel de luxo hoje, não queremos torneiras de ouro, lustres. O luxo está nas experiências de bem-estar que o lugar pode oferecer. Spa, sala de ginástica, serviço de massagem. O bem-estar é o novo luxo.
Folha - Como consumir bem-estar?
Nos anos 60 e 70, quando o consumo de massa possibilitou que famílias de classe média se equipassem com produtos, o bem-estar ainda era medido em termos de quantidade. Hoje, o que está na cabeça das pessoas é o bem-estar qualitativo: a tal qualidade de vida. O que inclui a qualidade estética.
Folha - Qual a relação entre busca de bem-estar e uma sociedade mais e mais "medicalizada"?
A obsessão com a saúde e a prevenção é o lado obscuro do hiperconsumismo, gerador de ansiedade quase higienista. A quantidade de informação disponível torna o consumo complicado. Na alimentação, os consumidores estão ávidos pela leitura dos rótulos: quais são os ingredientes, de onde vêm, podem causar câncer, engordar? Há 40 anos, íamos ao médico uma vez por ano, se muito. Hoje, um indivíduo faz até dez consultas por ano. O consumo de exames, para nos fazer sentir "seguros", cresce exponencialmente. Sintoma do hiperconsumismo: queremos comprar nossa saúde.
Como vê as campanhas contra o cigarro e a obesidade?
O hiperconsumidor está preso num emaranhado de informações e ele tem muitas regras a seguir. Parar de fumar faz parte da lógica da prevenção. É um sacrifício do presente em prol do futuro. No hiperindividualismo, a gestão do corpo é central. Esse autogerenciamento permanente explica, também, a onda do emagrecimento.
Expor-se ao sol é arriscado, mas é considerado bonito ter a pele bronzeada. Privar-se de comer é privar-se do prazer. É um paradoxo que todos vivem e, por isso, no caso dessas mulheres subjugadas ao terrorismo da magreza, elas sentem culpa. As regras são contraditórias.
Qual é a saída para toda essa ansiedade?
As compras. Antes as pessoas iam à missa, agora elas vão ao shopping center. Comprar, ir ao shopping, viajar -são as terapias modernas para depressão, tristeza, solidão. Você pode comprar "terapias de desenvolvimento pessoal". Um fim de semana zen, um pacote de massagens. Todas as esferas de vida estão subjugadas à lógica do mercado.
Folha - Por que as pessoas não se sentem felizes?
O hiperindividualismo aparece quando nossa sociedade nega as instituições da coletividade. A religião, a comunidade, a política. Os deuses são os homens. O indivíduo é um agente autônomo que deve gerenciar a própria existência. Esse indivíduo pode fazer escolhas privadas -que profissão fazer, com quem se casar, o que comprar- mas está submetido às regras da globalização econômica de eficácia, de produtividade, juventude, consumo. O acesso ao conforto material, enquanto sociedade, não nos aproximou da felicidade. Há tanta ansiedade, tanto estresse, tanta angústia e tanto medo que a abundância não consegue proporcionar um sentimento de completude.
Folha - Consumimos para esquecer?
Também. Mas há um outro lado. Desenvolvemos o que eu chamei de "don juanismo" [ele cita o personagem "Don Juan", da ópera de Mozart, que "conheceu" 1.003 mulheres]. Todos nos transformamos em Dons Juans. Somos todos colecionadores de experiências. Temos medo que a vida passe ao largo. Existe um senso comum que nos diz que se não tivermos vivido tal ou tal experiência, teremos perdido nossa vida. É uma luta contra o tédio, uma busca incansável e viciada pela novidade, pela fuga da rotina.
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